Ceará faz jogo da vida diante do Botafogo, no Rio de Janeiro

 
 
O Ceará fez uma temporada sem brilho em 2019. Atravessou o ano no
pragmatismo para fazer a verdadeira final na última partida da Série A
do Campeonato Brasileiro. Hoje, às 16 horas, no Engenhão, o Vovô joga a
sobrevivência na 1ª divisão diante do Botafogo.
O confronto vale mais que uma taça, trata-se de receita, história e
planejamento. Da forma mais explícita possível, cair significa reduzir
de patamar, ou seja, deixar de ser da elite. Assim, não importa os
percalços do adversário, é preciso atuar para vencer.
A condição imposta é a que garante o time, de fato, no Brasileirão. Com
38 pontos, na 16ª colocação, a pontuação deixaria o Vovô com 41, o que
impede que o Cruzeiro o ultrapasse. Na verdade, até um empate rebaixa o
time mineiro.
O risco ao Alvinegro de Porangabuçu reside na ausência de triunfos. No
cenário mais caótico, a equipe de Argel Fucks tem que ser derrotada no
Rio de Janeiro, e a Raposa precisa bater o Palmeiras, às 16 horas, no
Mineirão.
A condição ganha fôlego porque a má fase cearense se estende desde a
virada do 1º turno, sendo o 2º clube que esbanja o maior jejum atual de
vitórias no Brasileirão: seis. A última vez que o time ganhou foi em 7
de novembro contra o Internacional, em casa.
Contudo, é preciso se agarrar à tradição. Apesar de distante da própria
história, o Vovô é reconhecidamente guerreiro, principalmente quando se
trata de duelos na parte baixa da tabela. Os capítulos dos 105 anos de
fundação provam que o Vovô reverteu situações ainda mais adversas, como
em 2018, quando tinha 80% de chance de descenso para Série B, além de
2015, em que foi obrigado a conquistar 16 dos 21 pontos em disputa para
evitar a 3ª divisão.
Postura em campo
A mentalidade tem que ser buscar os três pontos. Para o Ceará, atuar a
fim de empatar é perigo pelas pretensões do Botafogo no campeonato. O
time carioca está em 15º, com 42, e ainda deseja uma vaga na
Sul-Americana, algo inalcançável para o Vovô.
O panorama sugere que a Estrela Solitária vai agredir, exatamente o que o
Alvinegro de Porangabuçu tem que fazer. É a oportunidade para se impor,
dominar o adversário e somar três pontos. Ser agressivo pelo menos uma
vez, mas dessa vez, com o mínimo de efetividade.
O controle psicológico é importante também porque todos os jogos serão
no mesmo horário. Argel montará o plantel no 4-2-3-1. Nesse momento, o
erro não tem espaço, o que exige oportunidade aos que já entregaram algo
durante a competição. “De maneira nenhuma podemos entrar em uma partida
decisiva, sabendo que resolverá a nossa situação, pensando em empatar.
Temos que entrar da maneira como entramos em todos os jogos, buscando
vencer, buscando o gol. Lógico que de uma maneira organizada”, disse
Ricardinho.
A escolha por peças como Wescley e Leandro Carvalho pode indicar um
presságio do resultado final, que contará com a irreverência e a sorte,
já que os jogadores pouco produziram no Brasileirão.
Entre os titulares com a nova comissão técnica, três são desfalques
certos: o lateral João Lucas, o volante Fabinho e o meia Lima, ambos
suspensos. A defesa vai receber Eduardo Brock, improvisado no lado do
campo.
O grande dilema é do meio para frente. Caso o sistema dos últimos dois
jogos seja mantido, Chico e Willian Oliveira ganham chance. A dupla
sugere uma forma reativa de encarar a partida, característica acentuada
se Thiago Galhardo for o escolhido como falso 9, o que deixará Bergson,
Felippe Cardoso e Mateus Gonçalves, três atacantes, no banco.
O detalhe é que o artilheiro alvinegro na temporada, com 11 gols, não
treinou com o grupo em Porangabuçu. Após o revés para o Corinthians, o
atleta viajou para o Rio, onde encontrou o elenco.
Donos da casa
A diretoria do Botafogo quitou os dois meses de salários atrasados dos
funcionários às vésperas do jogo com o Ceará. O estímulo vem porque
participar da Sul-Americana faz parte do aporte financeiro projetado
para 2020.
Nos últimos dois anos, o Fogão arrecadou R$ 8 milhões com participações
no torneio continental. Alívio que contribuiu para a diminuição do
montante de dívidas.
No entanto, a missão será difícil, tamanhos os desfalques da equipe.
Atuando no 4-3-3, o técnico Alberto Valentim precisará reconstruir o
meio-campo, uma vez que Diego Souza, Cícero e Luiz Fernando não atuarão
contra o Vovô devido ao acúmulo de cartões.
 
 
O POVO

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