Após câncer, criança doa parte do cabelo para confecção de perucas a pacientes, no Ceará


Um ano e nove meses depois de nascer, Ana Melissa enfrentou o desafio de
sobreviver após ser diagnosticada com neuroblastoma, tipo de câncer que
surge nas glândulas acima dos rins. O processo, como relembra a mãe,
Francisca Edna Silva, 51, foi longo – tanto que o hospital se tornou
casa durante um ano inteiro. “Em 2010, ela fez uma cirurgia, teve um
AVC, passou pela UTI e recebeu o diagnóstico. Na primeira semana de
2011, começaram as sessões de quimioterapia. Ela perdeu todo o cabelo,
nessa época”, relata. Hoje, com 11 anos, a menina enfrenta uma nova
suspeita da doença.

Os cabelos de Melissa já emolduram o rosto. A imagem do espelho, porém,
não foi a primeira estampada na mente quando ela resolveu, “do dia pra
noite”, cortar o cabelo e doar à Associação Peter Pan (APP), que atua no
tratamento de câncer em crianças e adolescentes, em Fortaleza. Para
ela, doar uma parte de si foi uma forma de chegar ao outro – e
transformá-lo. “Decidi doar porque não gosto das pessoas tristes e
carecas. Vi o pessoal triste, sem cabelo, internado, e falei pra minha
mãe que queria doar meu cabelo pra elas. Acho que elas vão ficar felizes
quando receberem”, revela.
A atitude voluntária de Melissa foi, para a mãe, um presságio. “Eu
fiquei impressionada, porque chegaram a oferecer R$ 450 pelo cabelo
dela, há um ano, e ela não quis vender. Uma semana atrás, ela começou
com essa ideia de querer ‘cortar e doar pros carequinhas’. Ontem, dias
depois, ela fez uma ultrassom e tem vários linfonodos no pescoço. Fiquei
pensando: Senhor, será que ela tava adivinhando isso?”, preocupa-se
Edna, temendo o retorno da doença à vida da filha.

Além da mecha de cabelo da adolescente, a autônoma Francisca Edna guarda
outras três para levar à APP. “Tenho amigas que têm salão de beleza,
arrecado as mechas e levo pra lá. Fui a um salão e uma moça tinha duas
mechas pra vender, aí quando contei a história da Melissa ela resolveu
foi doar. Ao todo, já tô com quatro mechas. Mês passado, levei sete pra
associação”, orgulha-se a mãe-militante, depositando – e recolhendo um
tanto – no abraço da própria filha a esperança de uma cura como presente
de Natal.
G1 Ceará

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