Vascaíno veste camisa do Flamengo para torcer com sobrinho que perdeu o pai

 

Vascaíno
fanático desde criança, o consultor operacional Pedro Lelis, 26, deixou
a paixão de lado por 90 minutos no sábado (23) para algo que nunca
imaginou: torcer pelo maior rival, o Flamengo, na final da Taça Libertadores da América.

A
atitude tinha um objetivo. Ele quis dar um momento de alegria ao
sobrinho, Kevyn Pantoja, 10. O garoto herdou a paixão pelo rubro-negro
carioca depois de acompanhar as partidas ao lado do pai, morto em 2018.

O gesto de Pedro viralizou e já conta com quase 200 mil reações no Facebook.
Segundo
ele, a ideia de torcer pelo rival ocorreu logo ao chegar à casa da
sogra, em Belém, momento antes da partida. Ele viu o sobrinho triste no
sofá por estar sozinho e ao ver que os amigos da rua estavam saindo com
os pais para acompanhar a final.

“Aquilo mexeu comigo, porque o
pai dele era flamenguista fanático, assim como o resto da família da
minha esposa. Senti ali que, obviamente, ele gostaria de estar com o pai
torcendo. Vivi isso de torcer com o meu pai e sei como é. Os amigos
dele também estavam saindo com os pais para assistir ao jogo. Tudo isso
mexeu comigo”, contou o consultor ao UOL.

Pedro,
então, convidou o sobrinho para assistir à partida na casa dele. Lá, fez
pipoca e comprou refrigerante. No caminho, ainda entrou em uma loja
para adquirir uma camisa do Flamengo. “Tinha que torcer direito. Não era
só assistir. Ele ficou muito feliz.”

No intervalo da partida,
Pedro saiu para buscar a esposa, a assistente de vendas Mayra Mendes,
que trabalha em um shopping de Belém e é irmã do pai do menino. Ao ver o
marido com a camisa do Flamengo, ficou assustada.

“O combinado
era meu esposo me buscar no trabalho às 18h, para depois a gente
assistir ao jogo. Quando eu o vi entrando com a camisa do Flamengo,
fiquei assustada, mas depois me explicou toda a situação, dizendo que
não iria apenas torcer, mas fazer o papel completo, comprando até a
camisa. Foi muito legal”, contou Mayra, que aproveitou um momento de
descuido do marido para registrá-lo ao lado do sobrinho após a partida.

Mayra e Pedro - Reprodução/Facebook

Mayra e Pedro
Imagem: Reprodução/Facebook Ela
publicou a imagem nas redes sociais e a história tomou proporções
virais. Até o início da tarde de hoje, a foto registrava mais de 190 mil
reações de internautas.
“Quando ele estava pagando o
estacionamento, registrei. Não era nem intuito de publicar no Facebook,
mas fiz e isso acabou inspirando outras pessoas. Recebi muitas
mensagens. Uma que me marcou muito foi uma de uma mulher que decidiu
levar o irmão para pescar, algo que ele fazia com o pai deles. Com isso,
entendi o propósito da mensagem”, diz a esposa.

‘Ele mudou depois do jogo’

Segundo
Mayra, o sobrinho vive um drama na infância desde que o irmão dela
morreu. Wellington Pantoja foi assassinado aos 30 anos por engano
enquanto jogava futebol, em Santa Isabel, interior do Pará. O crime
aconteceu em setembro de 2018, fato presenciado por Kevyn, que no
momento observava o pai no campo de futebol.

Com a morte de
Wellington, o garoto ficou desmotivado para ir à escola e sempre se
emociona quando se lembra do pai, segundo a tia. Desde então, passou a
morar com a avó paterna, em Belém, em busca de um recomeço na infância.

Mayra
acredita que desde a perda do pai, a partida do Flamengo ao lado dela e
do esposo se tornou o momento mais emocionante para o garoto.

“Isso
foi muito bom para ele. Meu sobrinho ficou mais falante depois do jogo e
alegre. Foi um momento único porque depois da morte do pai, ficou bem
calado com a tragédia.”

‘A felicidade dele é o que importa’

O
vascaíno Pedro Lelis afirmou que apesar de torcer pelo maior rival, não
deixou de vibrar quando, nos minutos finais, o Flamengo virou o placar
para cima do River Plate e conquistou o bicampeonato.
A família assistiu ao final da partida em uma das televisões da loja de departamento em que Mayra trabalha.

“Minha
esposa trabalha em uma loja de departamento e lá tem televisão. Ficamos
lá mesmo. Apesar de ser vascaíno, foi emocionante ali o final do jogo. O
momento foi único por ver a felicidade dele e da minha esposa. Jamais
imaginei essa repercussão. O que importa foi ter feito isso por ele”,
disse Pedro.

“Nunca pensei torcer para o Flamengo numa final de
campeonato, inclusive sempre zoei o clube, falando do ‘cheirinho’ de
títulos dos outros anos por sempre ter batido na trave”, afirmou o
vascaíno, que presenteou um dos cunhados com a camisa logo após o jogo.

“Apesar
da surpresa, a atitude do Pedro não me surpreendeu por completo, porque
ele tem um coração enorme. Com certeza, essa atitude era algo que
poderia fazer. Ele tem o Kevyn como um filho”, disse Mayra, orgulhosa do
marido.

UOL

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